Fotografia: Adriana Freire ALEXANDRA MOURA (criadora de moda - LAB)

Qual a importância da nova iniciativa da ModaLisboa - o LAB - e o que representa para si estar integrada nele?

Acho que o LAB foi a melhor coisa que nos poderia aparecer. Representa muito na nossa carreira, no nosso crescimento a nível profissional, e traz imensas vantagens. Para além do nosso trabalho ser mostrado a toda a gente, de uma maneira muito mais mediática, acho que também acabamos por ter outro tipo de reconhecimento, o nosso trabalho acaba por ser mais valorizado.
Estar integrada na ModaLisboa, que é para mim o melhor evento de moda português,é um privilégio. Estando aqui, o público vê-nos automáticamente com outros olhos. Acabamos por ter muito mais aceitação e muitas mais possibilidades de progredir na vida.
LOUIS DE GAMA (criador internacional convidado para a 18ª edição ModaLisboa)

Como é voltar a Portugal depois de nove anos em Londres?

Estou muito satisfeito. É um privilégio estar aqui e ter sido convidado pela ModaLisboa. Ao início não sabiamos o que é que o público português iria achar da colecção, mas pelos vistos adorou. Estou muito contente por estar em Portugal.

Tinha conhecimento da existência do evento ModaLisboa?

Sim tinha. Não conheço muito bem os criadores portugueses, conheço a Ana Salazar, que é um pilar da ModaLisboa e uma pioneira da moda portuguesa. Mas estou cá e pretendo ver os desfiles todos. Estou com curiosidade em conhecer a moda portuguesa e o trabalho dos seus designers.
MIGUEL RIOS (coordenador da 8ª edição do concurso Sangue Novo)

Para esta edição foram convidadas várias indústrias, associações têxteis, marcas, gabinetes de design. Qual a receptividade deste público profissional, que representa a Indústria de Moda nacional, em vir à ModaLisboa?

A receptividade foi para além das minhas expectativas. A ModaLisboa convidou uma série de empresas da área têxtil, da ITV nacional, da confecção e associações sectoriais e de facto a receptividade foi bastante boa. A indústria têxtil que vai apoiar o próximo concurso Sangue Novo, a decorrer na próxima edição, manifestou-se bastante aberta a relacionar-se com os designers porque considera que apesar de existirem dificuldades de implementação no mercado, devido à concorrência, acha importante apoiá-los porque isso tem um retorno para as próprias empresas.
LIDIJA KOLOVRAT (criadora de moda)

Qual a importância do novo projecto da ModaLisboa, o Lab?


Acho que é uma iniciativa que resulta porque atrai muito público e cria a curiosidade para a própria ModaLisboa. Houve muitos trabalhos novos e penso que todos ficaram satisfeitos. É um contributo para ambas as partes - ModaLisboa e criadores participantes.

O seu trabalho é fundamentalmente conhecido pela manipulação e experimentação a nível dos tecidos. Em que é que se baseia?

Eu estudei cinema e fazer roupa tem um impacto que acho interessante. É uma matéria muito curiosa para desenvolver um trabalho. Todas as esculturas e coreografias têm um ritual de preparação. Eu respeito o material, ele nunca está errado, temos de conhecer todas as suas potencialidades e para isso é, muitas vezes, necessário alterar, ver o que pode dar, verificar a sua resistência. Temos de o avaliar bem porque parte da funcionalidade da roupa também depende do comportamento do tecido.
ANGELA ANESSI (imprensa internacional - AB Magazine)

O que está a achar desta edição da ModaLisboa?

Faz-me lembrar um pouco o salão Gaudi, em Barcelona. Acho que está muito bem organizada, e em especial para a imprensa. Penso que a ModaLisboa não se destina tanto às vendas, enquanto que a Gaudi é organizada especificamente para vender, daí que a imprensa tenha um especial interesse em visitar este salão. Enquanto evento de divulgação das colecções dos criadores, a ModaLisboa está a correr bastante bem, está muito bem organizada e os desfiles são bons. Gostei especialmente das colecções dos jovens designers. Penso que é muito bom que a ModaLisboa promova designers mais experimentais.
ALEKSANDAR PROTICH (criador de moda - LAB)

Porque é que escolheu Portugal para estabelecer o seu negócio?

Na verdade não escolhi, não foi propriamente uma escolha. Vim a Portugal por acaso, para visitar um amigo, e gostei. Após ter regressado a Paris, Londres e Belgrado voltei algumas vezes a Lisboa e decidi ficar. Gostei da cidade para viver.

O que significa para si ter sido convidado para apresentar a sua colecção na ModaLisboa?

Significa que sou aceite pela ModaLisboa como designer e profissional de moda. Estou contente por poder ajudar a desenvolver a moda portuguesa, porque acho que é bastante boa. Não é perfeita, não tem a dimensão da moda de Paris ou Londres, mas está em franco desenvolvimento e acho que deve sair de Portugal e apresentar em Paris, Londres, em todo o mundo.
SUSANA MARQUES PINTO (coordenadora do show-room ModaLisboa)

Como está a correr o showroom? Tem tido muita afluência de público?

Esta edição está a correr particularmente bem, eu própria estou bastante surpreendida. A imprensa estrangeira está a vir à ModaLisboa há já algumas edições e parece que nesta edição finalmente ficou surpreendida como se tivesse sido a primeira vez ou como se fosse a primeira vez que a roupa tivesse causado tanto impacto. Há imensos jornalistas a quererem levar roupa para fazer editoriais, quando isso nem sequer constituia uma obrigação, é uma atitude de vontade própria. Também houve bons resultados a nível de compras. Acho que neste momento o showroom começa francamente a ter pés para andar sozinho e aposto nele, muito concretamente nas próximas edições.
MANUEL ALVES (criador de moda)

Em que novos projectos estão a trabalhar actualmente?

Estamos a trabalhar num projecto grande para a Primavera/Verão. Vamos estar ligados a um projecto de jóias e vamos abrir a nossa loja, no Chiado, em Setembro, já com roupa de homem e mulher.

Na edição passada voltaram a apresentar homem. Que receptividade tem tido esta colecção?

Ainda não estamos a trabalhar muito em homem. Só vamos começar a trabalhar na colecção masculina na próxima estação. Nessa altura, vamos estabelecer-nos fortemente. Vamos ver como as coisas vão correr, penso que irão correr bem.
DINO ALVES (criador de moda)

Como surgiu a ideia do Hospital da roupa?

A ideia surgiu porque no fundo eu já fazia um pouco isso, mas não institucionalizado. A ideia de reciclar roupa não é uma grande novidade, a novidade é haver um atelier de um criativo que se dedica especificamente a isso, porque toda a gente já pegou numas calças ou numa t-shirt de que está farto e alterou-as.
É importante considerar o aspecto ecológico, a ideia de não desperdiçar, de não gostar dinheiro em coisas novas quando se tem outras a ocupar espaço em casa. Há a questão de se ficar com uma peça de autor: da peça que as pessoas levam ao hospital da roupa surge uma nova peça com etiqueta SOS Dino Alves.
O conceito mais interessante do Hospital da roupa é ganhar uma peça nova, com etiqueta de um autor e por menos dinheiro do que uma completamente nova, bem como o aparecimento de uma segunda linha de roupa - existe a marca Dino Alves e existe a SOS Dino Alves em que é o próprio cliente a levar a matéria. Não há investimento em termos de material, pode eventualmente haver algum se eu quiser aplicar algum tecido na peça mas a base já existe. O resultado são peças absolutamente únicas, porque mesmo que repita pontualmente algumas ideias, a peça base nunca é igual.
Tem tido muitas encomendas?

Eu ainda não fiz nada em termos de marketing, a não ser umas entrevistas, e já tive imensas encomendas. Acho que as pessoas têm gostado imenso mas quando começarem a ver as peças na rua penso que vão começar a aderir ainda mais.
A que cliente-tipo se dirige a iniciativa?

Eu gostaria que as pessoas percebessem bem o conceito do Hospital da Roupa. Não quero que as pessoas achem que isto é um atelier de arranjos de costura porque não tem mesmo nada a ver com isso. Devido ao facto do projecto ter sido divulgado em vários meios de comunicação, que são dirigidos a vários tipos de público, tem aparecido um público bastante variado, desde pessoas novas, minhas amigas, amigas de amigas, até senhoras de Cascais.
Até agora toda a gente tem gostado daquilo que tem sido feito e isso é provavelmente o melhor cartão de visita. As pessoas também não sabem o que vai sair porque o resultado é uma surpresa. É exactamente isso que quer dizer a sigla SOS - Serviço de operação surpresa. De qualquer modo, ao olhar para uma pessoa consigo perceber que para uma senhora de 50 ou 60 anos não posso desenvolver a mesma ideia do que para uma de 20 ou 30. Há uma ficha de inscrição que o cliente preenche com informações básicas para me conduzir quando deposita a peça no Hospital da Roupa. Se não gosta de roxo ou amarelo faz essa indicação e eu já sei que não vou usar essa cor. São apenas alguns apontamentos para me conduzir minimamente.
Como está a correr esta edição da ModaLisboa?

Acho que o espaço escolhido é um dos melhores até agora. É espaçoso, tem um ar imponente, forte. Já vi dois ou três desfiles, gostei mais de uns do que de outros, mas o facto de terem aparecido pessoas novas é bastante bom. Em relação ao meu desfile estou muito satisfeito. Penso que correu muito bem, gostei e quando consigo fazer aquilo que tenho na cabeça sinto-me sempre realizado.
CRISTINA DUARTE (Colaboradora da revista ELLE)

O que achou desta edição da ModaLisboa e do novo projecto LAB?

Gostei da edição e do espaço. À chegada parecia muito maior mas a cenografia criou uma ambiência muito acolhedora que retirou a eventual sensação de uma pessoa se poder vir a perder.
Gostei da edição sobretudo pelas colecções dos criadores portugueses, de nomes já firmados, mas acho que é importante existirem iniciativas que de alguma forma criem novos impulsos. E isso não é uma coisa absolutamente nova na ModaLisboa porque esse novo impulso à moda portuguesa e à descoberta de novos valores tem sido dado desde a criação do concurso Sangue Novo. Por outro lado, houve uma outra iniciativa, que foram os desfiles da Nova Vaga, que de alguma forma prolongaram e deram visibilidade aos valores que tinham sido descobertos através do concurso Sangue Novo. A meu ver este LAB acaba por ser um projecto que ganhou maturidade através de experiências anteriores. São propostas interessantes, de pessoas que não são muito conhecidas do grande público. Acho que será interessante continuar com a iniciativa nas próximas edições, com mais nomes que também são desconhecidos do grande público e da própria imprensa.
PAULO MACEDO (Stylist)

Um balanço desta 18ª edição da ModaLisboa?

Em primeiro lugar acho que o sítio foi escolhido a dedo. De todas as edições a que assisti da ModaLisboa, este espaço foi de facto o melhor e o mais versátil para a apresentação das colecções. A sala LAB era completamente polivalente, não houve dois desfiles feitos naquele espaço que fossem iguais, facto que é muito interessante porque dá aos criadores a oportunidade de criarem o espaço para apresentar as suas colecções. A sala principal era fantástica. Foi a primeira vez que vi em Portugal uma sala ao nível internacional.
Em termos de colecções, considero que houve qualquer coisa que mudou nos criadores. De uma maneira geral, acho que deram todos um passinho em frente, uns mais do que outros. O Osvaldo deu um grande salto, em particular na colecção masculina que melhorou bastante. Gostei imenso da colecção do Miguel Flor, acho que tem um conceito muito engraçado. Em relação aos criadores LAB, gostei imenso da colecção da Alexandra Moura.